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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Trintinha


Sara era uma mulher vivida. Já passava de seus 60 anos. Era mãe de um filho adulto, viveu intensamente seus anos de juventude – sex, drugs & Rock’n’Roll – viajando pelo mundo, frequentando shows de rock, pregando a paz no mundo. Bem-sucedida, Sara se dava ao luxo de continuar vivendo seus melhores dias no presente. Gostava de sair e se divertir com amigos que ela colecionou ao longo dos anos.
Um dia foi visitar um amigo no interior de São Paulo. Saiu de Brasília, onde estava há anos estabelecida como arquiteta, e foi parar em Pirassununga. O amigo, Régis, também era arquiteto. Um homem elegante, igualmente bem sucedido, que havia assumido os negócios da família na região. Era filho único e único herdeiro de uma verdadeira fortuna. Régis era o rei da noite na região. Logo no primeiro dia, saíram para uma aventura noturna, Sara e ele. Visitaram os bares da cidade, tomando umas aqui e ali. Riram muito, conversaram com todo mundo que encontraram e foram terminar a noite no forró pé-de-serra, de onde era impossível sair desacompanhado, com uma boa transa garantida para a madrugada.
Lá, Régis apresentou a Sara um rapaz jovem, vinte e poucos anos, forte, moreno, “mais cheiroso do que lenço de cigano”, como Sara gostava de brincar. O forró estava quente e Luizinho – assim no diminutivo, apesar do tamanho do rapaz – era um pé-de-valsa. Segurou Sara forte pela cintura, encaixou suas coxas entre as suas, o nariz em seu cangote e mandou brasa no dois-prá-lá, dois-prá-cá. Sara sentia o perfume do rapaz, seus músculos fortes, a pegada arrochada, e seu pau que começou a dança tímido e foi crescendo junto com o ritmo da música e das caipirinhas de cachaça de alambique com frutas que foram tomando ao longo da noite.
Logo Sara sentiu uns beijinhos no seu pescoço, arrepiando sua pele dos pés à cabeça. Finalmente, veio a proposta: “Rainha, vamos sair daqui, que eu quero te dar um trato!”. Havia muitos, muitos anos que Sara não ouvia nada parecido com aquilo. Depois da juventude, o sexo para ela era sempre com homens também maduros e muito menos ousados do que aquele menino forte, de português fraco. Já não era comum sentir seu sexo úmido, mas depois de ser chamada de rainha e sentir aquele pau duro, cutucando sua pélvis, sua calcinha molhada não era apenas uma memória, estava bem ali, debaixo da calça jeans.
Saíram de mãos dadas como dois namorados. Sara estava hospedada na casa de Régis e tinha esquecido a chave, então o jeito foi ficar ali na garagem, embaixo da varanda que dava acesso à parte social da casa de Régis. Luizinho encostou Sara no capô de um dos carros estacionados. Desabotoou sua blusa com sede, procurava sua boca cheio de tesão e foi descendo as mãos para desabotoar o jeans. Apesar da idade madura, Sara era magra e tinha o corpo bem feito. Os seios pequenos, recuperados por uma cirurgia plástica estavam entumescidos. Ela abriu as pernas e Luizinho enfiou sua língua nervosa entre os pelos de Sara. Ela foi à loucura. Gemia e pedia que ele chegasse a pontos que só a experiência dos anos podiam ensinar a uma mulher. Finalmente, Sara pediu a penetração e Luizinho entrou fundo. Ela deitou-se no capô e ele, de pé, apoiou-se sobre ela, com total domínio de todos os movimentos. Ela completamente nua. Ele sem camisa, de botas e as calças arriadas até os tornozelos.
Sara sentia o pau de Luizinho num movimento de entrada e saída, que a fazia subir aos céus. Sentia também sua língua em seus seios, pescoço, nuca e ouvidos. Quando finalmente ela explodiu em orgasmo, ofegante, pensou: “Nossa, que delícia! Será que este menino é profissional da área?”
Não deu outra. Já vestidos e cientes de que Régis já tinha chegado em casa e percebido o movimento na garagem, foram despedir-se. Foi quando Luizinho soltou a pergunta: “Você tem uns trinta reais para me arrumar, gatona?”. Trôpega de prazer e cachaça, Sara pediu uns minutinhos para ir até seu quarto.
Subiu as escadas, passou pela sala e viu a luz do quarto de Régis acesa no corredor. Seguiu em frente e entrou para o quarto, louca para fazer xixi. Sentou-se no vaso e viu a ponta de um baseado em cima da pia. Acendeu a ponta e olhou pela janela, vendo que o dia amanhecia. O xixi já era e Sara continuou sentada, olhando as cores do céu e um poste, no alto da ladeira, onde a rua terminava. De repente viu Luizinho, que passou por debaixo do poste, ajeitando a camisa dentro das calças. Só então Sara, que nunca havia pago por um programa em toda a sua existência, descobriu que tinha acabado de dar o cano em um michê de interior. Soltou uma gargalhada se divertindo com sua aventura, mais uma de muitas histórias malucas no extenso livro de uma vida bem-vivida.

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